O QUE ME FALA ESSA TAL DE ARTE?
O pensamento no espaço da Arte é solto, como em um furacão. Nenhum tópico especifico é mais ou menos relevante. A Arte é uma profunda crise da forma e conteúdo; sem regras! O processo criativo em Arte é fruto de sua negociação com o mundo, uma negociação que pode ou não ser flexível, mas sem perder a originalidade. Nada pior em Arte do que formulas e receitas.![]() |
| Teatro Antagon - Alemanha |
Na Arte você gera a pergunta e você cria as respostas. Mas isso não significa que as perguntas e as respostas não serão revisitadas ao logo do processo da obra. É possivel que o revisitar seja feito depois de 5 anos ou de dois em dois dias... e pensando nesse eterno revisitar da obra entende-se aqui que o artista é um ser incomodado em seu lugar. Um eterno insatisfeito. Um inquieto com o seu lugar no mundo e assim inquieta-se também com o lugar que as coisas e pessoas tendem a permanecer. Para o artista o mundo não é estático. Esse caos faz parte do processo criativo do artista. Organização e racionalidades podem não ajudar no tempo de vida e permanência da obra de Arte junto as gerações/espectadores.
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| processo artístico de Henrique Oliveira |
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| Henrique Oliveira |
Por mais contraditório que seja o processo criativo e essa eterna revisitação, a Arte está sempre aceitando contaminações estéticas, reflexões politicas e poéticas dos espectadores e de outros artistas... mas isso nunca é um bate papo tranquilo com um café da tarde e sim uma discussão apaixonada. O artista sabe que nunca teve controle de seus processos criativos e também não terá quando expor seu trabalho a outros no mundo... o seu trabalho não acaba quando sua obra chega ao publico, existe no "produto" um espaço de esculta do artista, na qual ele passa a "palavra" com suas inúmeras formas de leitura estética, ao espectador. Isso faz a obra de Arte se transbordar em significados e significantes, fazendo perdura-la por mais tempo (ou não) após os seus numerosos processos de resignificação. Mas o artista não aceitará uma discurssão morna; se assim for, ele duvidará das leituras dos espectadores. Duvidará de sua obra aponto de querer matar seu próprio "estorvo" (sua obra de arte).
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| Chris Burden, Bean Drop (2009) é composto por 71 vigas lançadas por um guindaste de 45 metros durante 12 horas. |
Arte não quer ser digerível. O status de digerível é o da cultura e não o da arte. (que falaremos em outro artigo). Arte deseja que seu espectador resignifique-se mergulhando em seus labirintos, se perdendo, redescobrindo outros universos e o recolocando na vida com outra postura: em um lugar de questionamento. Como ja dizia Aristoteles, na Poética, quando descreve sobre a tragédia Édipo Rei, de Sófocles: "Arte é uma hybris continua": um descontrole geral de seus próprios impulsos. A hybris, faz o artista e o publico (espectador) transgredir seus espaços plausíveis e permanecer em desconforto, sem solo... em um espaço que a razão não encontra traduções. Aqui se revela apocalipticamente o espaço criativo que une artista, obra, espectador e esse novo universo não palpável, mas muitas vezes mais real do que a própria realidade.
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Linda do Rosário – Obra de Adriana Varejão exposta no Centro de Arte Contemporânea Inhotim |
(André Mustafá / arte educador Casa Esperança).
Adolescente desenvolvendo pintura abstrata. Titulo: "Os Triangulos do Além".
O desenvolvimento desse processo só foi possível após 4 meses de atividades e exercício dessa nova forma de olhar o mundo.








